
A interrupção das buscas por Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, trouxe um novo capítulo a uma história que já vinha mobilizando Bacabal e outras regiões do Maranhão. Após quase uma semana de trabalho intenso no Rio Mearim, a Marinha do Brasil comunicou oficialmente a suspensão das operações aquáticas, decisão tomada em conjunto com outros órgãos governamentais envolvidos no caso.
De acordo com a força naval, a medida foi baseada na ausência de indícios que apontassem a presença das crianças no trecho do rio analisado. Durante cinco dias consecutivos, equipes especializadas percorreram mais de 19 quilômetros de correnteza, a partir do ponto estimado onde teria ocorrido a queda. O esforço envolveu embarcações, mergulhadores e apoio técnico, tudo conduzido de forma coordenada.
Os irmãos foram vistos pela última vez no dia 4 de janeiro, um domingo aparentemente comum, enquanto brincavam em uma área de vegetação próxima à residência da avó. O local fica no território remanescente do quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Com eles estava o primo mais velho, Anderson Kauã, de oito anos, que também desapareceu na mesma ocasião.
O desaparecimento gerou comoção imediata. Moradores da região, familiares e voluntários se juntaram às equipes oficiais nos primeiros dias, numa tentativa de encontrar qualquer pista. A esperança ganhou novo fôlego quando, cerca de 72 horas depois, Anderson foi localizado com vida em uma área de mata no povoado de Santa Rosa, a aproximadamente quatro quilômetros do ponto inicial.
O resgate do menino ocorreu de forma quase inesperada. Três trabalhadores rurais, a caminho do serviço em uma carroça, avistaram a criança em meio à vegetação e acionaram ajuda. Anderson recebeu atendimento médico e, após se recuperar, passou a colaborar com as autoridades, oferecendo informações importantes sobre o que havia acontecido.
Segundo relato do próprio garoto, não houve intervenção de terceiros. Ele explicou que entrou na mata junto com os primos por conta própria e que, em determinado momento, os três acabaram se perdendo. O depoimento ajudou a direcionar parte das buscas e levou os investigadores até uma casa abandonada próxima ao Rio Mearim, indicada pelo menino.
Mesmo com essas informações, as buscas aquáticas não apresentaram resultados concretos. Em nota divulgada na última segunda-feira, a Marinha informou que, durante os trabalhos, onze pontos considerados críticos foram mapeados e inspecionados por mergulhadores do Corpo de Bombeiros. Nenhum vestígio relevante foi encontrado nessas áreas.
Apesar da suspensão das operações no rio, a Marinha destacou que equipes da Capitania dos Portos do Maranhão e do setor de hidrografia do norte do país permanecem em estado de alerta. Caso surjam novas pistas ou informações que indiquem a necessidade de retomada das buscas, as ações poderão ser reavaliadas.
No encerramento do comunicado, a instituição manifestou solidariedade aos familiares das crianças. “A Marinha do Brasil manifesta solidariedade aos familiares dos desaparecidos e reforça o compromisso de atuar sempre que necessário para a salvaguarda da vida humana”, afirmou.
Ágatha Isabelly e Allan Michael estão desaparecidos há 24 dias. Enquanto as buscas entram em uma nova fase, a família segue à espera de respostas. Em Bacabal, o assunto continua presente nas conversas do dia a dia, refletindo a esperança silenciosa de que, de alguma forma, surjam novas informações capazes de esclarecer o que aconteceu naquela tarde de janeiro.